Compartilhamento de idéias a respeito do nosso curso de filosofia junto ao professor Nasser.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
segunda-feira, 13 de julho de 2015
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Papa pede mudança na estrutura mundial - 10/07/2015 - Mundo - Folha de S.Paulo
Papa pede mudança na estrutura mundial - 10/07/2015 - Mundo - Folha de S.Paulo
FABIANO MAISONNAVEENVIADO ESPECIAL A SANTA CRUZ DE LA SIERRA (BOLÍVIA)
Papa pede mudança na estrutura mundial
Em discurso de forte tom político na Bolívia, Francisco exorta o povo a promover transformações e critica sistema
Pontífice pede perdão pelos crimes cometidos pela Igreja Católica contra os indígenas na colonização da América
No discurso mais político de seus mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta (9), durante visita à Bolívia, uma "mudança de estruturas" mundial e chamou o capitalismo de "ditadura sutil".
Falando em encontro com movimentos sociais em Santa Cruz de la Sierra após o presidente Evo Morales, o papa os chamou a realizar "três grandes tarefas" na economia, na união entre os povos e na preservação ambiental.
"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", perguntou o papa a centenas de ativistas, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros.
"Digamos sem medo: queremos uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. Tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco", completou.
Para o papa, a "globalização da esperança" nasce e cresce entre os pobres, mas até a elite quer mudanças: "Dentro dessa minoria cada vez menor que acredita que se beneficia deste sistema reinam a insatisfação e especialmente a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza."
Em outra crítica à "ditadura sutil" do capitalismo, disse que "atrás de tanta dor, morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava 'o esterco do Diabo' [dinheiro]".
TAREFAS
O líder católico atacou também "a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural". Para ele, trata-se de "colonialismo ideológico".
Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizarem mudanças: "O futuro da humanidade está em suas mãos."
Em seguida, o papa propôs três tarefas aos movimentos.
A primeira é "pôr a economia a serviço dos povos" para assegurar os "três Ts: trabalho, teto e terra". "A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a administração correta da casa comum", disse.
"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano é dever moral. Para os cristãos, um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres o que lhes pertence."
Para a segunda tarefa, "unir nossos povos no caminho da paz e da justiça", ele defendeu o conceito de "pátria grande" usado por movimentos de esquerda para pregar a união latino-americana.
Francisco afirmou que problemas como a violência não podem ser resolvidos sem cooperação. Mas advertiu: "Colocar a periferia em função do centro lhe nega o direito ao desenvolvimento integral. Isso é iniquidade e gera tal violência que não haverá recursos capazes de deter."
Por último, pediu a preservação da "Mãe Terra", ecoando sua encíclica mais recente: "Não se pode permitir que certos interesses --globais, mas não universais--submetam Estados e organismos internacionais e continuem destruindo a criação".
DESCULPAS
Visitando um país de maioria indígena, o papa pediu desculpas pelo ação da Igreja Católica na colonização.
"Foram cometidos muitos e graves pecados contra os povos originários da América em nome de Deus", disse, sob intensos aplausos. "Quero ser muito claro, como foi são João Paulo 2°: peço humildemente perdão."
Ao final, conclamou todos a não deixarem "nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania". "Sigam a sua luta e, por favor, cuidem muito da Mãe Terra."
quarta-feira, 8 de julho de 2015
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Laudato Si’: interpretações e chaves de leitura | Revista IHU Online #468
Laudato Si’: interpretações e chaves de leitura | Revista IHU Online #468
Laudato Si’: interpretações e chaves de leitura
Na manhã de 18 de junho, foi publicada a Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum”. O título, Laudato Si’, é tomado do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis.
Por: João Vitor Santos e Ricardo Machado
O texto é apresentado em 192 páginas, agrupados em 246 parágrafos, que funcionam como uma espécie de versículos, cujos conceitos são melhor elucidados pelas 172 notas de rodapé que compõem o documento apostólico, oferecendo uma chave de leitura mais ampla. Inspirada pela metodologia da Teologia da Libertação, a Encíclica divide-se em seis capítulos, divididos em Ver – Capítulo 1; Julgar – Capítulos 2, 3 e 4; e Agir – Capítulos 5 e 6.
A questão de fundo da Encíclica versa em torno do conceito de ecologia integral, que relaciona as ações do ser humano como um todo. No conceito agir “ecologicamente” não se trata somente de proteger animais e plantas, mas, sim, ter uma postura misericordiosa diante do próximo. O que se apresenta, portanto, é uma preocupação integral com o outro, no sentido mais amplo do termo. A abordagem de Laudato Si’ coloca em causa a perspectiva antropocêntrica, reposicionando o debate sobre o planeta Terra, compreendo-o como “a casa de todos, um bem comum”.
A íntegra da encíclica está disponível em português no sítio do Vaticano (disponível no link http://bit.ly/1Lhax37). Desde o dia do anúncio do documento apostólico, o sítio do IHU vem publicando uma série de análises e interpretações. Diante desta conjuntura, a IHU On-Line apresenta um guia de leitura para auxiliar na compreensão da Encíclica e ampliar a reflexão e o debate em torno do tema.
Nas Notícias do Dia do sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, há um amplo texto que oferece suporte para uma primeira leitura da Encíclica, ajudando a compreender o seu desenrolar na totalidade e a identificar as linhas principais.
A entrevista especial com Leonardo Boff discute o documento apostólico, sublinhando o conceito de ecologia integral. “A ecologia integral é o ponto central da construção teórica e prática da Laudato Si’. Receio que ela não seja entendida pela grande maioria, colonizada mentalmente apenas pelo discurso antropocêntrico de ambientalismo", afirma o teólogo e escritor.
Edgar Morin, em entrevista publicada nas Notícias do Dia, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, afirma que “O verdadeiro humanismo é aquele que vai dizer que eu reconheço em todo ser vivo ao mesmo tempo um ser semelhante e diferente de mim”.
"Além de quebrar a tradição ao citar textos de conferências nacionais, o Papa Francisco lança mão de uma gama de pensadores católicos. Ele cita oito vezes Romano Guardini, sacerdote e teólogo influente (1885-1968)", escreve Kevin Ahern, eticista teológico e professor assistente de Estudos Religiosos na Manhattan College, em artigo publicado pelo sítio America, e reproduzido nas Notícias do Dia do IHU.
Ambientalistas encaram a encíclica Laudato Si’ – Sobre o Cuidado da Casa Comum, apresentada quinta, 18, pelo papa Francisco, como um “presente” que deve alavancar ainda mais as discussões de todo o mundo sobre a urgência da preservação da natureza. A 298ª encíclica da História da Igreja Católica é a primeira que traz a questão ambiental em seu cerne.
"O Papa proporcionou o primeiro grande ensino papal sobre o planejamento urbano, observando, por exemplo, a necessidade de se cuidar dos espaços comuns, dos marcos visuais e das estruturas urbanas que melhoram o nosso sentido de pertença, a nossa sensação de enraizamento, o nosso sentimento de ‘estar em casa’ dentro da cidade que nos envolve e une", escreve David Cloutier, professor de teologia moral e Ensino Social da Igreja na Mount St. Mary’s University (MD), em artigo publicado nas Notícias do Dia do IHU.
É mais fácil que um papa e a Igreja aceitem o progressismo social do que a mudança das relações entre os humanos. Ele pode aceitar, na misericórdia, os homossexuais, mas não a comunidade LGBT. Pode falar do valor das mulheres, criticar a violência contra elas, mas não reconhecer a sua autodeterminação.
“A mudança indicada é a mudança de um antropocentrismo explorador para um biocentrismo participativo. Esta mudança requer algo além do ambientalismo, que permanece sendo antropocêntrico enquanto tenta limitar os efeitos deletérios da presença humana no meio ambiente”, escreve Dave Pruett, ex-pesquisador da NASA, professor emérito de Matemática da James Madison University, Virgínia (EUA), publicado nas Notícias do Dia do IHU.
Marcelo Sánchez Sorondo, em entrevista publicada nas Notícias do Dia do IHU, defende que “A nova encíclica é um verdadeiro desafio para os poderosos do mundo. Nós, naturalmente, sabemos que o petróleo é uma fonte fundamental para as multinacionais. Mas confiamos que o pensamento do pontífice pode incidir sobre as pessoas”.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas Ban Ki-moon saudou o lançamento da encíclica do Papa Francisco, documento onde o líder da Igreja Católica fala das mudanças climáticas como um dos principais desafios que a humanidade enfrenta e convida a todos para um “diálogo renovado” sobre como está sendo construído o futuro do nosso planeta.
O secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon estará no Vaticano, no próximo dia 28, para se encontrar com o Papa Francisco. Durante a visita, as conversas dos dois líderes estarão centradas sobre o meio ambiente, ou mais exatamente: os problemas colocados pelas mudanças climáticas e a resposta que a comunidade internacional deve produzir caso deseje conter o fenômeno que está, mais do que nunca, ampliando as crises sociais, as guerras e a imigração.
Em uma perspectiva geral, a Laudato si' tem uma visão ecológica da comunicação, reconhecendo-a inclusive como parte de um âmbito transcendente e não a restringindo meramente a uma prática social ou ao uso de aparatos tecnológicos. A análise é do jornalista Moisés Sbardelotto, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela Unisinos.
"A outra boa notícia veio do Vaticano e eis que mais uma vez o Papa Francisco surpreende e renova o seu empenho em falar sobre problemas contemporâneos. Desta feita em sua primeira encíclica – 'Laudato si’' (Louvado sejas), ele cita o Patriarca Ecumênico Bartolomeu", escreve Reinaldo Canto, jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento, em artigo reproduzido nas Notícias do Dia do IHU.
Uma leitura atenta da última encíclica do Papa Francisco reserva às almas atentas detalhes que reservam algumas surpresas mordazes. O texto do Papa Francisco reserva algumas vultosas surpresas nas citações que introduz: o Pe. Teilhard de Chardin fez uma majestosa entrada, assim como um famoso sábio muçulmano, o sufi Ali Al-Khawwas. Os católicos tradicionalistas “buzinaram”. A reportagem é de Michel Danthe reproduzida nas Notícias do Dia do IHU.
"Afirmação da encíclica sobre a vida como uma teia de existência multidimensional inter-relacionada articula e eleva as diversas cosmologias místicas da sustentabilidade dos indígenas e das comunidades da Ásia, da África e da América Latina rurais", escreve Jojo M. Fung, membro da região que compreende a Companhia de Jesus na Malásia e em Singapura, professor assistente de Teologia Sistemática na Loyola School of Theology nas Filipinas, em artigo reproduzido nas Notícias do Dia do IHU.
"O papa expressa a profunda preocupação com que muitas injustiças econômicas baseadas no mercado, junto da degradação ambiental, têm os seus impactos mais graves recaindo sobre pobres e vulneráveis", comenta Tony Magliano, jornalista, colunista de temas de justiça social e paz, em artigo reproduzido nas Notícias do Dia do IHU.
>> Veja também os Cadernos de Teologia Pública que dialogam com o tema de Encíclica.
- Perdendo e encontrando a criação na tradição cristã. Cadernos Teologia Pública de Elizabeth A. Johnson, 57ª edição;
- O Deus vivo em perspectiva cósmica. Cadernos Teologia Pública de Elizabeth A. Johnson, 51ª edição;
- Eucaristia e Ecologia. Cadernos Teologia Pública de Denis Edwards, 52ª edição;
- Da possibilidade de morte da Terra à afirmação da vida. A teologia ecológica de Jürgen Moltmann. Cadernos Teologia Pública de Sérgio Lopes Gonçalves, 23ª edição;
- Deus e a criação em uma era científica. Cadernos Teologia Pública de William R. Stoeger, 59 edição
Revista IHU Online #468 - A financeirização da vida
Revista IHU Online #468
A financeirização da vida
Os processos de subjetivação e a reconfiguração da relação ‘economia e política’
Uma economia globalizada e financeirizada, que se sobrepõe à política e está descolada de critérios éticos em suas transações. Sob esse pano de fundo, bancos são salvos da falência enquanto as pessoas perdem as casas onde vivem porque não têm condições de continuar honrando seus empréstimos. Nações são varridas por crises econômicas brutais, a democracia é tomada como refém das oscilações do mercado e o endividamento como status de inclusão social via consumo são as notas de um réquiem endereçado à política.
A financeirização da vida e os processos de subjetivação que são requeridos e a consequente reconfiguração da relação entre a economia e a política, são o tema da edição desta semana da revista IHU On-Line. Pesquisadores de várias áreas do conhecimento refletem sobre este fenômeno da vida contemporânea.
Contribuem para o debate Yann Moulier Boutang, Maurizio Lazzarato, Massimo Amato, Stefano Zamagni, Giuseppe Cocco,Rodrigo Karmy, Sandro Luiz Bazzanella, Adriano Correiae Albert Ogien.
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