Compartilhamento de idéias a respeito do nosso curso de filosofia junto ao professor Nasser.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015
Thomas Piketty, a nova estrela da economia mundial
Thomas Piketty, a nova estrela da economia mundial
Matéria do site da Unisinos, com um bom resumo da sua obra, e das críticas a ela.
Matéria do site da Unisinos, com um bom resumo da sua obra, e das críticas a ela.
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Thomas
Piketty, a nova estrela da economia mundial
Elogiado pelos prêmios Nobel de Economia, Paul
Krugman e Joseph Stiglitz, ressaltado pelo influente editor do jornal Financial
Times, Martin Wolf, e analisado em profundidade pelo semanário The Economist.
“Capital in the 21st Century” [O capital no século XXI], do economista francês
Thomas Piketty (foto), contém um duro ataque ao capitalismo e um traço que
considera inerente ao seu funcionamento: uma crescente desigualdade que, cedo
ou tarde, será “intolerável”.
A reportagem é
de Marcelo Justo, publicada por BBC Mundo, 07-05-2014. A tradução é do Cepat.
A mensagem recorda (assim como o
título da obra) as predições de Karl Marx sobre o inevitável antagonismo entre
uma minoria cada vez mais rica e uma maioria cada vez mais relegada.
Não em vão, The Economist chamou
Piketty como “o moderno Marx”, mas entre as surpresas deste suposto herdeiro do
autor de “O Capital” e do “Manifesto Comunista” está o fato de que foi
recebido, simultaneamente, pela Casa Branca e o Fundo Monetário Internacional
para que explicasse as suas teses.
Em sua resenha para The New York
Review, Paul Krugman procurou sintetizar o interesse que o livro desperta.
“Apresenta um novo modelo que
integra o conceito de crescimento econômico com o de distribuição de ingressos
salariais e riqueza. Mudará o modo como pensamos sobre a sociedade e a
economia”, escreveu Krugman.
R
contra G
Piketty não é o primeiro a falar
de crescimento da desigualdade. O tema foi tratado por diversos autores, desde
Joseph Stiglitz até o coreano Ha-Joon Chang, e mencionado como um dos grandes
desafios de nossa época por dirigentes políticos mundiais, começando pelo
próprio Barack Obama.
A diferença é que Piketty
revoluciona a análise histórica com uma comparação que abarca desde inícios da
revolução industrial, no século 18, até nossos dias. Segundo Piketty, o
crescimento da desigualdade é inerente ao capitalismo porque a taxa de retorno
ou rendimento do capital (R: rate of capital return) é superior à taxa de
crescimento econômico (G: rate of economic growth), relação resumida na versão
em inglês do livro como “R>G” (R maior que G).
Piketty analisou a evolução de
30 países, durante 300 anos, como explicou ao The New York Times.
“Caso se analise o período de
1700 até 2012, percebe-se que a produção anual cresceu em média 1,6%. Ao
contrário, o rendimento do capital foi de 4 a 5%”, destacou Piketty ao jornal.
A consequência deste processo é
que, a longo prazo, o próprio crescimento econômico se vê afetado. Em outras
palavras, Piketty ataca de frente a ideia de que a distribuição da riqueza
econômica é secundária à criação da mesma.
Os
25 anos dourados
Esta tese bate de frente com a
premissa da economia neoclássica (baseada em Adam Smith e David Ricardo) que
considera que a distribuição da riqueza é um tema secundário do crescimento e
que em “economias maduras” (desenvolvidas) a desigualdade se reduz naturalmente.
Esta tese se baseava na chamada
curva de Kuznets, que postulava que embora as economias fossem muito desiguais
na primeira etapa da industrialização, tornar-se-iam mais igualitárias com o
tempo, em virtude de um processo de amadurecimento intrínseco, resultado do
crescimento.
Kuznets desenvolveu esta
hipótese nos anos 1950 e 1960, no mesmo período em que o capitalismo gozou de
seus “25 anos dourados” (1947-1973), em que o crescimento chegou a 4,5%
anualmente.
Segundo Piketty este período é
uma exceção em razão de fatores históricos aleatórios e institucionais.
“A grande crise de 1914-1945,
com a destruição de capital pela inflação, as duas guerras mundiais e a Grande
Depressão, somado a mudanças institucionais, como a criação do Estado de Bem-Estar,
reverteram um pouco o processo de crescente desigualdade que víamos desde a
revolução industrial”, destacou ao jornal The New York Times.
Em outras palavras, com o
laissez faire a tendência natural é a desigualdade. Por outro lado, a
intervenção da história, que afeta o rendimento do capital e seu investimento
(guerras mundiais), e a do estado (redistribuição) podem alterar esta
tendência.
Em sua “História do século XX”,
o recentemente falecido historiador Eric Hobsbawm apresenta outro ângulo que leva
a mesma conclusão: “Uma das ironias do século XX foi que a Revolução de
Outubro, que tinha como objetivo a eliminação do capitalismo, acabou lhe
salvando ao obrigá-lo a se reformar e planificar sua economia com políticas
redistributivas como o New Deal, escrevia o historiador britânico em princípios
dos anos 1990. Com a queda do Muro de Berlim, o capitalismo voltou a suas
velhas raízes do laissez faire, hoje rebatizadas como neoliberalismo.
Críticas
O livro de Piketty foi criticado
a partir de duas perspectivas.
A direita reconheceu a
“extraordinária magnitude dos dados reunidos e comparados”, mas discordou da
tese principal e da “pobreza” das soluções propostas.
O semanário The Economist
sintetizou em sua última edição as críticas.
“Muitos pensam que Piketty se
equivoca ao acreditar que o futuro será como o passado, o século XXI como o
XVIII e XIX. Outros acrescentam que, na realidade, é cada vez mais difícil
obter uma boa rentabilidade do capital investido. E, além disso, a maioria dos
super-ricos de hoje conseguiu sua riqueza graças ao seu esforço e não por
herança”, destaca o semanário.
A partir de uma perspectiva de
centro-esquerda, Piketty também foi criticado porque sua tese se encontraria
dentro dos limites da economia “neoclássica”.
O autor de “Post Keynesian
Economics: Debt, Distribution and the Macro Economy”, o acadêmico estadunidense
Thomas I. Palley, destaca que esta limitação torna possível “mudar algo para
que não mude nada”, velha técnica do leopardismo.
“Piketty fornece uma explicação
da crescente desigualdade no marco neoclássico e centra o problema na diferença
entre a rentabilidade do capital e o crescimento. Este esquema neoclássico o
faz enfocar o tema tributário como o remédio, sem prestar atenção às estruturas
do poder econômico”, destaca Palley.
Há
alternativas?
Em uma coisa todos concordam: a
desigualdade cresceu nas últimas três décadas.
Segundo The Economist, hoje 1%
da população tem 43% dos ativos do mundo. Os 10% mais ricos detém 83%.
A mensagem de Piketty é que esta
situação irá continuar, a não ser que se adote uma série de medidas
progressistas globais, como um imposto de 80% sobre a riqueza (não apenas sobre
a renda).
Para além da questão se este
remédio faz parte do esquema neoclássico, como critica Palley, dado o poder de
lobby dos grandes capitais e, em muitos casos, sua direta manipulação da coisa
pública (a política econômica de Barack Obama tem estado nas mãos de
ex-banqueiros de Wall Street), é bastante improvável que se possa ir adiante. O
próprio Piketty não é particularmente otimista.
“Hoje, os níveis de desigualdade nos Estados Unidos
são semelhantes aos que existiam na Europa em inícios do século XX. A história
nos ensina que este nível de desigualdade não é positivo para o crescimento
econômico ou a democracia. Os sistemas democráticos não puderam responder de
maneira pacífica e a situação apenas foi solucionada após duas guerras mundiais
e violentos conflitos sociais. Vamos esperar que desta vez seja diferente”,
destaca Piketty.
O Todo é o Meio Ambiente | Corecon PR
O Todo é o Meio Ambiente | Corecon PR
O Todo é o Meio Ambiente
26/02/2015
Marcus Eduardo de Oliveira
Escreve Andrei Cechin, em “A Natureza como Limite da Economia”, que “se a economia capta recursos de qualidade de uma fonte natural e devolve resíduos sem qualidade para a natureza, então não é possível tratar a economia como um ciclo isolado”.
Pelo pressuposto, a economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente. Logo, não há como escapar da seguinte ponderação: à medida que acontece o crescimento econômico exponencial se dilapidam as bases da natureza, resultando em sensível diminuição do meio ambiente, agravando substancialmente os fundamentos naturais da vida.
Reforça-se assim a prerrogativa de que mais crescimento significa menos meio ambiente, tendo em vista que a biosfera é finita, não cresce (e jamais irá crescer), além de ser fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) funcionando regiamente sob as leis da termodinâmica.
Sintomaticamente, mais crescimento econômico responde pela exaustão dos recursos naturais e energéticos e pela depredação dos serviços ecossistêmicos.
Assim, é limitada a capacidade de o ecossistema terrestre suportar as pressões advindas do crescimento econômico. Os limites biofísicos constrangem o sistema econômico que, por sua vez, irrompe-se com força destrutiva, expondo o meio ambiente em constante degradação, comprometendo a capacidade de a vida humana prosperar com o equilíbrio desejável.
É necessário, por oportuno, não perder de vista que os recursos naturais são, essencialmente, um conjunto de matéria e energia de qualidade atuando (entrando) no processo econômico.
Na saída desse “cano econômico”, para usar aqui uma expressão do professor Clóvis Cavalcanti, sobra resíduo, poluição, calor e matéria dissipada. Do ponto de vista físico, o processo econômico não cria matéria e energia.
A questão ecológica mais preocupante está justamente no impacto dessa ação (a retirada de recursos naturais e a entrega de resíduos pós-produção) gerada pela atividade econômica.
Esse resíduo gerado deteriora o ambiente de várias maneiras: quimicamente, como no caso do mercúrio ou da chuva ácida; nuclearmente, como o lixo radioativo; ou fisicamente, como a acumulação de CO2 na atmosfera.
Razão pela qual o crescimento econômico – pelas bases da expansão da capacidade produtiva – entendido como condição para satisfazer as necessidades humanas, precisa urgentemente ser repensado, até mesmo porque o crescimento, per si, não atende em linhas gerais aos desejos ilimitados das pessoas.
Seguindo essa linha, o desenvolvimento humano (melhoria da qualidade de vida) dependerá, pois, da retração econômica, e não de seu crescimento. Ademais, qualquer subsistema – como é o caso da economia -, em algum momento necessariamente deve parar de crescer e adaptar-se a uma taxa de equilíbrio natural.
Posto isto, a economia tradicional precisa aceitar um fato inexorável: é impossível um crescimento ilimitado num sistema que depende da existência de recursos naturais finitos. Funda-se nesse argumento um fato imperioso: parar de crescer não significa parar de se desenvolver. É perfeitamente possível prosperar (se desenvolver) sem crescer; é factível, pois, avançar economicamente sem agredir o meio ambiente.
Por sinal, prosperidade econômica, em seu significado mais elementar, deve ser entendida como sinônimo de bem-estar, e não pode haver prosperidade – portanto, melhoria substancial na qualidade de vida das pessoas -, em ambientes constantemente expostos à degradação, reduzidos, por exemplo, à poluição decorrente da expansão produtiva que esgota o patrimônio natural (biomassa da floresta, fertilização do solo, disponibilidade de água, solo arável etc).
Decorre disso a necessidade de se promover a troca da busca incessante do crescimento (expansão quantitativa) pelo desenvolvimento (melhoria qualitativa).
Faz-se necessário, contudo, buscar um “novo modelo econômico” capaz de assegurar a preservação do espaço ecológico que responde pela continuidade da vida humana em bases mais sustentáveis, estando em conformidade com o conjunto teórico que embasa a Ciência Econômica – porém, com uma nova roupagem – voltada às ordens ecológicas, não às mercadológicas.
Para alcançar esse objetivo, é imprescindível condenar a busca pelo crescimento econômico exponencial que “passeia livremente” sobre as ruínas do capital natural (ar, floresta, solo, água) promovendo em seu rastro a mais agressiva destruição dos elementares serviços ecossistêmicos.
Faz-se oportuno ponderar que no linguajar dos economistas ecológicos crescimento econômico vai só até certo “ponto” (desconhecido). Uma vez ultrapassado esse “ponto” não há melhorias, mas sim perdas significativas (crescimento deseconômico), começando pela qualidade do ar que respiramos e pela completa destruição do espaço natural, afetando substancialmente o que se convenciona entender por qualidade de vida nas cidades, uma vez que os serviços ecossistêmicos são expostos à dilapidação.
Crescimento além dos limites é sinônimo de vida degradada, de ambiente natural destruído. Que fique claro: todo e qualquer crescimento que se expande de forma incontrolável gera consequentemente desequilíbrios ao meio ambiente.
A expansão da atividade econômica, usada como paradigma de ascensão (progresso econômico) no modo de consumir das pessoas, alimentada pela ideologia da propaganda “compre mais”, consubstanciada na obsolescência programada (desgaste dos produtos de forma induzida cujo único objetivo é acelerar o tempo de rotação do capital “forçando” assim novas vendas), tem produzido muito estrago no tocante aos serviços prestados pela natureza, configurando na expressão máxima: mais economia significa menos meio ambiente. Já passou da hora de abandonar esse modelo.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor, com pós-graduação em Política Internacional e mestrado em Integração da América Latina (USP). prof.marcuseduardo@bol.com.br
Os artigos de economistas divulgados pelo CORECON-PR são da inteira responsabilidade dos seus autores, não significando que o Conselho esteja de acordo com as opiniões expostas.
É reservado ao CORECON-PR o direito de recusar textos que considere inadequados.
O Todo é o Meio Ambiente
26/02/2015
Marcus Eduardo de Oliveira
Escreve Andrei Cechin, em “A Natureza como Limite da Economia”, que “se a economia capta recursos de qualidade de uma fonte natural e devolve resíduos sem qualidade para a natureza, então não é possível tratar a economia como um ciclo isolado”.
Pelo pressuposto, a economia é apenas uma parte de um todo; o todo é o meio ambiente. Logo, não há como escapar da seguinte ponderação: à medida que acontece o crescimento econômico exponencial se dilapidam as bases da natureza, resultando em sensível diminuição do meio ambiente, agravando substancialmente os fundamentos naturais da vida.
Reforça-se assim a prerrogativa de que mais crescimento significa menos meio ambiente, tendo em vista que a biosfera é finita, não cresce (e jamais irá crescer), além de ser fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) funcionando regiamente sob as leis da termodinâmica.
Sintomaticamente, mais crescimento econômico responde pela exaustão dos recursos naturais e energéticos e pela depredação dos serviços ecossistêmicos.
Assim, é limitada a capacidade de o ecossistema terrestre suportar as pressões advindas do crescimento econômico. Os limites biofísicos constrangem o sistema econômico que, por sua vez, irrompe-se com força destrutiva, expondo o meio ambiente em constante degradação, comprometendo a capacidade de a vida humana prosperar com o equilíbrio desejável.
É necessário, por oportuno, não perder de vista que os recursos naturais são, essencialmente, um conjunto de matéria e energia de qualidade atuando (entrando) no processo econômico.
Na saída desse “cano econômico”, para usar aqui uma expressão do professor Clóvis Cavalcanti, sobra resíduo, poluição, calor e matéria dissipada. Do ponto de vista físico, o processo econômico não cria matéria e energia.
A questão ecológica mais preocupante está justamente no impacto dessa ação (a retirada de recursos naturais e a entrega de resíduos pós-produção) gerada pela atividade econômica.
Esse resíduo gerado deteriora o ambiente de várias maneiras: quimicamente, como no caso do mercúrio ou da chuva ácida; nuclearmente, como o lixo radioativo; ou fisicamente, como a acumulação de CO2 na atmosfera.
Razão pela qual o crescimento econômico – pelas bases da expansão da capacidade produtiva – entendido como condição para satisfazer as necessidades humanas, precisa urgentemente ser repensado, até mesmo porque o crescimento, per si, não atende em linhas gerais aos desejos ilimitados das pessoas.
Seguindo essa linha, o desenvolvimento humano (melhoria da qualidade de vida) dependerá, pois, da retração econômica, e não de seu crescimento. Ademais, qualquer subsistema – como é o caso da economia -, em algum momento necessariamente deve parar de crescer e adaptar-se a uma taxa de equilíbrio natural.
Posto isto, a economia tradicional precisa aceitar um fato inexorável: é impossível um crescimento ilimitado num sistema que depende da existência de recursos naturais finitos. Funda-se nesse argumento um fato imperioso: parar de crescer não significa parar de se desenvolver. É perfeitamente possível prosperar (se desenvolver) sem crescer; é factível, pois, avançar economicamente sem agredir o meio ambiente.
Por sinal, prosperidade econômica, em seu significado mais elementar, deve ser entendida como sinônimo de bem-estar, e não pode haver prosperidade – portanto, melhoria substancial na qualidade de vida das pessoas -, em ambientes constantemente expostos à degradação, reduzidos, por exemplo, à poluição decorrente da expansão produtiva que esgota o patrimônio natural (biomassa da floresta, fertilização do solo, disponibilidade de água, solo arável etc).
Decorre disso a necessidade de se promover a troca da busca incessante do crescimento (expansão quantitativa) pelo desenvolvimento (melhoria qualitativa).
Faz-se necessário, contudo, buscar um “novo modelo econômico” capaz de assegurar a preservação do espaço ecológico que responde pela continuidade da vida humana em bases mais sustentáveis, estando em conformidade com o conjunto teórico que embasa a Ciência Econômica – porém, com uma nova roupagem – voltada às ordens ecológicas, não às mercadológicas.
Para alcançar esse objetivo, é imprescindível condenar a busca pelo crescimento econômico exponencial que “passeia livremente” sobre as ruínas do capital natural (ar, floresta, solo, água) promovendo em seu rastro a mais agressiva destruição dos elementares serviços ecossistêmicos.
Faz-se oportuno ponderar que no linguajar dos economistas ecológicos crescimento econômico vai só até certo “ponto” (desconhecido). Uma vez ultrapassado esse “ponto” não há melhorias, mas sim perdas significativas (crescimento deseconômico), começando pela qualidade do ar que respiramos e pela completa destruição do espaço natural, afetando substancialmente o que se convenciona entender por qualidade de vida nas cidades, uma vez que os serviços ecossistêmicos são expostos à dilapidação.
Crescimento além dos limites é sinônimo de vida degradada, de ambiente natural destruído. Que fique claro: todo e qualquer crescimento que se expande de forma incontrolável gera consequentemente desequilíbrios ao meio ambiente.
A expansão da atividade econômica, usada como paradigma de ascensão (progresso econômico) no modo de consumir das pessoas, alimentada pela ideologia da propaganda “compre mais”, consubstanciada na obsolescência programada (desgaste dos produtos de forma induzida cujo único objetivo é acelerar o tempo de rotação do capital “forçando” assim novas vendas), tem produzido muito estrago no tocante aos serviços prestados pela natureza, configurando na expressão máxima: mais economia significa menos meio ambiente. Já passou da hora de abandonar esse modelo.
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor, com pós-graduação em Política Internacional e mestrado em Integração da América Latina (USP). prof.marcuseduardo@bol.com.br
Os artigos de economistas divulgados pelo CORECON-PR são da inteira responsabilidade dos seus autores, não significando que o Conselho esteja de acordo com as opiniões expostas.
É reservado ao CORECON-PR o direito de recusar textos que considere inadequados.